Querida V., até breve.
«O título do livro pensara nele enquanto olhava fixamente para a montra de uma pastelaria cheia de porquinhos de maçapão. Há já algum tempo que eu andava interessada na questão do canibalismo simbólico.Na altura, eram os bolos de casamento, encimados pelos seus noivos de açúcar, que muito em particular me fascinavam», Margaret Atwood
sábado, 23 de janeiro de 2010
V
Querida V., até breve.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Sabotagem
Amanhece um imaculado caminho.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Jano

Tenho andado armada em procrastinadora. A mudança está perto e tenho evitado a hora de encaixotar o que vai povoar a minha nova vida. O corte de cabelo desenhou-se hoje. É verdade, eu encaixo no cliché: sou daquelas mulheres que sente ânsias de cortar o cabelo para assinalar uma mudança.
Amanhã não há como fugir. No último dia do ano, vou seleccionar os companheiros que me vão dar colinho no novo código postal. Num caixote irei depositar os livros que me irão mimar os neurónios longe do território familiar.
Tenho muita arrumação pela frente. Arrumações em várias frentes. Estou a caminho de cumprir o que tenho de ser. Estou mais perto de mim. Mas, durante uns tempos, vou ser descendente da mitologia romana. Vou sentir-me Jano. Ai vou, vou.
(Este post tem a ver com este outro, pois claro)
Conjugar-te
O Miguel Carvalho desafiou alguns bloggers a escreverem textos inspirados no tema «Ainda há futuros como antigamente?». Saiu-me isto:
Tu dás-me presente. E é isso que quero de ti. A tua presença, quando nos apetece. Contigo não me aprisiono nem ao sonho, nem à desilusão. Não quero que o futuro venha a correr, nem que o passado me agarre. Sabemos que o que temos é uma intermitência, uma doce fragilidade.
Preciso do parêntesis onde nos colocamos, desta barragem contra o futuro. Não falamos no vindouro, nem no passado. Deixamo-nos ir. Não esqueço as tuas mãos a taparem-me a boca, como quem diz: «Não metas filtros, silencia o teu censor, sente apenas. Sente-me». E eu deixo-me ir. Por não te esperar, por nada esperar de ti, tenho-te.
Amanhã vou surpreender-te. Falar-te-ei de futuro. Porque irei mudar, mudar-me. E vou continuar a querer presente e não melancolia ou ansiedade. Sei que a distância geográfica vai inibir-nos a espontaneidade. A lonjura vai fazer-nos pensar em futuro de tanto presente passado um com o outro. À distância resta-nos um caminho: um passo à frente ou um passo atrás. Vou antecipar-te e dar um passo atrás. Coisas de quem precisa de proteger o miocárdio (que seja).
Comigo longe, já não vais poder ligar-me a dizer que daí a 15 minutos vais passar por perto e que queres ser comigo. Os teus lábios não vão procurar os meus, ansiosos por um silente diálogo. Nem eu vou perguntar-te se estás pelo hospital e se podes descer até ao bar para um café nos tomar os gestos. Nem tu, de seguida, me convidarás para jantarmos juntos, dilatando a pausa no trabalho. Tu estás habituado a lidar com o presente. Interessa-te o aqui e agora do doente. Trazes contigo a urgência do agir. Sabes a exacta medida de um minuto, quando sais ao serviço do INEM. Estás habituado a ter vida entre as mãos. Por isso gosto tanto de sentir a palma da minha mão entregue à tua.
É perante o passado que eu ajoelho a minha vida. As escavações arqueológicas acendem-me o olhar. Tu gostas de mim assim, com pó nas veias e mãos na compreensão. Até já topaste o meu tique de, volta e meia, ao conversarmos ou ao caminharmos na rua, eu teimar em olhar para trás. Atribuis as minhas frequentes dores de barriga a uma congestão de passado. Lanças-me o teu humor: «Ó minha Cleópatra, lá estás tu com as tuas melan…cólicas!»
Amanhã. Amanhã, vou dar-te um abraço e sussurrarei aquela frase que sublinhaste no livro que tens na mesa de cabeceira: ‘Se jamais dois forem um, então nós’. Amanhã, irei atirar-te com o Antigo Egipto. Depositar-te-ei nas mãos aquele escaravelho de ouro que encontrei num antiquário, na rua onde, pela primeira vez, os nossos dedos se entrelaçaram como rede de pescar ternura.
Vou mentir-te. Vou dizer-te que te ofereço o escaravelho apenas por ser giro (ai como tu detestas esse adjectivo!). Vais ficar a olhar para o escaravelho, com a sobrancelha direita arqueada a censurar-me por ter gasto tanto dinheiro num objecto em ouro. Sei que a tua curiosidade irá chegar à simbologia.
Com o escaravelho irei pôr-te nas mãos a eternidade.
Agora, tão agora, sinto-me cobarde por não te conjugar no futuro.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
É Natal, época de solidariedade e tal
domingo, 20 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Coisas do demo
As universidades sempre foram lugares perigosos. E nós, por cá, estamos a atingir um nível elevado de perigosidade: foi criado um doutoramento em Democracia no Século XXI.
Sítio perigoso este o do questionar.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Indecência
Isto é indecente. Digo eu, filha de uma doente com cancro colo-rectal.
Não se podem esperar meses, quando o organismo dá sinal de alerta. A minha mãe não esperou. Foi à urgência hospitalar, mas como não apresentava sangue nas fezes não lhe foi feita uma colonoscopia. Não podia esperar meses, prostrada na cama com cólicas abdominais insuportáveis. Fui a uma clínica privada marcar a colonoscopia. Numa sexta-feira foi feita a biópsia. Na segunda-feira veio o resultado. E nesse mesmo dia o gastroenterologista, que trabalha para o privado, mas também no hospital público da área de residência, procedeu ao internamento da minha mãe. Na quinta-feira seguinte foi operada. Ainda havia alguma coisa a fazer. E se esperasse meses?
domingo, 6 de dezembro de 2009
O início
É um nicho no qual nos enroscamos? É um pedaço de universo sobre o qual reinamos? É um vago arranjo? Um contrato para dar remédio à solidão? É a descoberta de um lugar desconhecido? É a exploração de uma vida? É a procura de um duplo? De uma outra metade que um Deus amador de puzzles tivesse escondido? É uma aposta? A busca de uma unidade perdida? Datada de quando? Instaurada por quem? É um espelho? Uma recordação de infância? Uma ideia de felicidade? Um sonho? É uma doce inquietude? Uma paixão? A guerra? É uma ideia da perfeição? Pensamos nele ao morrer? É uma perdição? A negação de si? É um desespero? Uma religião? É o cumprimento de um programa? Genético? Cósmico? É a santidade? É uma maldição? Um corpo a estreitar? Uma alma a adivinhar? É um pedaço de espaço/tempo acelerado? Ou a paragem do tempo? Ou o fim do espaço? É uma equação a resolver? Uma dição de qualidades e de belezas? Uma antimatéria? Um mundo do avesso? Um aspirador de sentimentos? Um buraco negro do espaço? A outra face de uma galáxia? É um acaso? Um silício emotivo? Uma carícia que não tem fim? Um poema para viver? Um nascimento e uma morte misturados? O início da eternidade? Um labirinto? Um estratagema? Um enternecimento? É entrar na alma de alguém? Aí se dissolver? É o oceano que cabe todo na palma da mão?
Miléna não se interrogou acerca disto.
Adrien interrogou-se, sem encontrar resposta».
Yves Simon, in O Viajante Magnífico
Ronronice
A chuva, a ronronice domingueira, o ombro da minha mãe, a lareira. A tarde passada a ver a Anatomia de Grey. O chá a fumegar. E o amor, sempre o amor.
Ah, vidinha boa.
(eu disse boa, não disse fácil)
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
A cadeira
Simone, portadora de paralisia cerebral, protagonista do filme No Fio dos Limites (2003), de Christine Reeh.
O documentário, filmado em Castro Daire e Viseu, foi produzido pela Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes, RTP e Asterisk Produções.
Hoje, Dia Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiência, lembrei-me da extraordinária Simone.
domingo, 29 de novembro de 2009
À flor da pele
À procura de quem conheça David Saldanha, alegado homicida de Joana Fulgêncio, descubro, por mero acaso, o irmão da vítima de um outro homicídio passional. Um homenzarrão, de olhar doce, arregaça a manga e mostra-me o rosto da irmã, tatuado no braço. Comove-me este modo viril, masculino, de demonstrar o amor fraternal. Não há mau gosto à flor da pele, há uma dor hipodérmica.
domingo, 22 de novembro de 2009
Chamar os boys pelos nomes
«(...)perceberam que havia uma questão decisiva: o controlo da comunicação social.
Obstinaram-se, assim, nessa cruzada.
A RTP não constituía preocupação, pois sendo dependente do Governo nunca se portaria muito mal.
Os privados acabaram por ser as primeiras vítimas.
O Diário Económico, que estava fora do controlo e era consumido pelas elites, mudou de mãos e foi domesticado.
O SOL foi objecto de chantagem e de uma tentativa de estrangulamento através do BCP (liderado em boa parte por Armando Vara).
A TVI, depois de uma tentativa falhada de compra por parte da PT, foi objecto de uma 'OPA', que determinou a saída de José Eduardo Moniz e o afastamento dos écrãs de Manuela Moura Guedes.
O director do Público foi atacado em público por Sócrates - e, apesar de tão propalada independência do patrão Belmiro de Azevedo, acabou por ser substituído.
A Controlinvest, de Joaquim Oliveira (que detém o JN, o DN, o 24 Horas, a TSF) está financeiramente dependente do BCP, que, por sua vez, depende do Governo».
José António Saraiva in artigo de opinião intitulado Os boys de Guterres. No Correio da Manhã há mais.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Resiliência
«(...)chocam-me muitas situações de isolamento, nomeadamente na viuvez e, mais provavelmente, nos homens do que nas mulheres - porque as mulheres estiveram sempre ocupadas, tiveram sempre o papel de mães, de avós, da domesticidade. Não é à toa que se fala da viúva alegre e não se fala do viúvo alegre. As mulheres, enfim, sobrevivem melhor.
Interessa-me esse problema do isolamento, da solidão, dos grupos de reformados a quem o sistema dá uma pensão mínima, mas estão ali no largo da igreja a descontar no tempo. Um dos projectos que pretendemos desenvolver é sobre o envelhecimento activo, o uso do tempo. Digo: "Há muitos viúvos isolados." Haverá mesmo? Vamos saber, porque uma pessoa pode ser viúva e não se sentir só, pode ter amigos, participar em actividades, viajar em grupo».
[Manuel Villaverde Cabral, coordenador do Instituto do Envelhecimento]
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Sou toda ouvidos
There's a dream that I see, I pray it can be
Look cross the land, shake this land
A wish or a command
I dream that I see, don't kill it, it's free
You're just a man, you get what you can
We all do what we can
So we can do just one more thing
We can all be free
Maybe not in words
Maybe not with a look
But with your mind
Listen to me, don't walk that street
There's always an end to it
Come and be free, you know who I am
We're just living people
We won't have a thing
So we'd got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind
You've got to choose a wish or command
At the turn of the tide, is withering thee
Remember one thing, the dream you can see
Pray to be, shake this land
We all do what we can
So we can do just one more thing
We won't have a thing
So we've got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind
But with your mind
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Lâmpada
Imagem de Cassie KammerzellO génio da lâmpada mágica tardou, mas não falhou. Dos meus três desejos, um poderá cumprir-se em breve. Sendo importante, não era o mais importante, neste momento da minha vida (mas longe de mim, querer parecer pobre e mal agradecida). E por coisas que eu cá sei - incluindo ter passado a tarde de ontem com um bispo - isto soa-me a uma espécie de sinal divino.
Ainda estou a digerir o que ontem, à hora do lanche, me apareceu de bandeja. Bem, não é assim tão de bandeja, porque tudo na minha vida se realiza com muito trabalhinho. Mas posso dizer que é comestível, ó se é comestível. Desejem-me coisinhas boas, vá.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Entardecer
Gosto quando entardeces em mim
deixas tombar a luz
viras lua.
Percorro os teus sinais -
constelações que acendem gestos, meus.
Gosto quando o teu ombro se insinua como precipício.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Coração fascista
Imagem de Chris CraymerNão se pode confiar em ninguém - mesmo nas pessoas de absoluta confiança. Confiar, não ter ciúmes, significa achar o outro incapaz, indesejável ou incapaz de desejar, indiferente ou incapaz de ser diferente. Faça-se a quem se queira a fineza de achar que mais alguém o há-de querer também. Desconfiar de quem se ama significa dizer, de uma maneira perversa mas verdadeira: "Se calhar estarias melhor com outra pessoa, mas eu, com outra pessoa, estaria sempre pior."»
Excerto de crónica de Miguel Esteves Cardoso, com publicação na revista do i, na edição Nós, Ciumentos
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Ser filha da mãe
A minha mãe é uma lição de vida. Foi operada na quarta-feira passada. E hoje novamente sujeita a cirurgia (é a quinta vez desde Abril de 2007). Entre as 20h e as 22h45, gastei o chão do corredor da cirurgia, em particular junto ao elevador de serviço às enfermarias. Eu e o meu pai fomos até ao recobro, "buscá-la". É uma mulher do caraças! Sai de uma operação linda e com uma pedalada que só visto. Se há pessoa que merece cada minuto de vida é a minha mãe (não por ser minha mãe, mas por ser a mulher que é).
Na viagem de regresso a casa, o meu pai confessa que quem lhe dera a ele ter apenas um pedacinho da resistência da minha mãe. «Ela tem uma força! Cada vez a amo mais», soltou. Acho que foi a frase mais bela que ouvi sair da boca do meu pai. Não que precisasse de verbalizar o amor que sente. Porque ele, o amor, é notório. Há 32 anos. E não há cancro que destrua isso.
Se sofro muito? Sofro.
Se sou feliz? Sou.
Caros senhores desaires que teimam em me rondar a mim e à minha família, tirem o cavalinho, a égua, o asno (e o que mais quiserem) da chuva, mas não me vão derrubar. Sou filha da minha mãe. Quero estar à altura dela.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Acordar
Há dias em que tudo o que se quer é o sol -
- posto.
Há dias em que o que mais se quer é o mínimo
movimento.
Há dias em que o que se pede não vai além
do abraço dos lençóis.
[O desejo de estrear outro dia]
sábado, 10 de outubro de 2009
Arte de amar
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Manuel Bandeira
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Escaravelho
Depois de ter comprado um dos escaravelhos reciclados do Simão Bolívar, não resisti a comprar, mais tarde, um alfinete de peito, dos anos 40/50 do século XX, representando também um escaravelho. Claro que a isto não é alheio o facto do escaravelho ser o símbolo egípcio da reencarnação. Fascinante a ideia de renovação eterna...um ser que renasce da própria decomposição.
Há objectos que esperam ser lidos. Vêm até mim para lançarem luz cá dentro.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Do mistério
A interrogação, uma bengala permanente, à qual nos seguramos para não admitirmos que não queremos todas as respostas, mas todas as ilusões.
Philip Roth, in O Animal Moribundo
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Alma a alma
Um ser diante de outro ser - um mistério diante de outro mistério. (...)»
Raul Brandão, in Húmus
domingo, 20 de setembro de 2009
A propósito do caso das 'escutas'

Joaquim Fidalgo
(via Jornalismo & Comunicação)
Cebrián dixit
Juan Luis Cebrián, in Cartas a um jovem jornalista
(Editorial Bizâncio, Lisboa, 1998)
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Rédeas
Imagem de Pavel Morozovquinta-feira, 10 de setembro de 2009
Higiene mental
Vejam o dramático. A força anímica não chegou para que os braços limpassem a casa , as queixas dos vizinhos não serviram de abanão. Eis que o tribunal determina uma medida coerciva: o despejo. E perante isto, a mulher agarra-se à ideia de que o vereador da autarquia vai ajudá-la a permanecer na casa. A mulher não fala em higienizar a vida.E ninguém pode substitui-la nesse desígnio.
Literatura infantil no divã

Rainha de Copas – narcisismo
Chapeleiro Louco e Lebre de Março – psicopatia partilhada (folie à deux)
Winnie-the-Pooh – défice de atenção e hiperactividade
Piglet – ansiedade crónica
Willy Wonka – desordem esquizotípica
Peter Pan – narcisismo, autofrustração e dependência
Wendy – dependência
Sininho – personalidade do tipo borderline
Capitão Gancho – personalidade antisocial
Feiticeiro de Oz – narcisismo
Homem-de-Lata – desordem esquizóide
Gata Borralheira– necessidade de aprovação
Barba-Azul – psicopatia
Peter Rabbit – hiperactividade
Bela – dependência
Monstro – agressividade
Cruella de Vil – personalidade histriónica
Lobo Mau – psicopatia
Pipi das Meias Altas – desordem de personalidade não especificada
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
domingo, 6 de setembro de 2009
Uma questão de perfume
- Ó mimi, quando é que me arranjas um padrinho?
- Ó Dinis, um padrinho não se arranja assim de repente...
- Para arranjares um namorado, fazes isto: despejas um frasco de perfume em ti. Depois vais ter com ele. Ele desmaia, pegas nele e espetas-lhe um beijo.
- E devo ser eu a espetar-lhe um beijo? Não espero que seja ele a dar-mo?
- Ó mimi, os rapazes são tímidos!
- E as raparigas não são?
- Os rapazes são mais tímidos!
- E com o beijo resolvia-se tudo?
- Depois, faziam amizade, combinavam um jantar. Depois, trazia-lo para casa, sem a tua mãe saber, e dizias-lhe: Quero namorar contigo.
- E achas que ele iria dizer logo que sim?
- Se disser que não, dás-lhe uma chapada na cara. Mas achas que ele não vai aceitar?! Só tens de deitar o frasco todo de perfume.
(Diálogo entre a mulher comestível e o Dinis, de 9 anos)
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Lavadeiras

Lembro-me sempre das aulas de jornalismo em que se sublinhava que a verdade é um espelho que caiu ao chão e se dividiu em pequenos estilhaços. Ao jornalista cabe a tarefa de juntar o maior número de pedaços de vidro. O jornalista não é o dono da verdade; se assim se sentir, correrá o risco de se cortar com a lâmina da arrogância.
Que haja limpeza e transparência nos dois campos: política e jornalismo. Venha o azul, o sabão azul e não o lápis.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Esfera
Lembro-me do violeiro, que disse que, «quando somos jovens, temos muitas arestas mentais» e que, com a passagem do tempo, «tudo na vida tende a ficar esférico».
Para os nostálgicos, deixo uma sugestão: Mistério Juvenil.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Ética, pá!
Quando vejo políticos a desfazerem-se em simpatia com os jornalistas que trabalham na área política e, com laivos de má educação, a ignorarem os outros, os que não lhes dão jeito, começo a sentir alguma urticária.E questiono-me sobre quem é que essas figuras da política querem iludir quando soltam larachas como "há falta de ética na vida política" ou" precisamos de ter princípios e valores e darmo-nos ao respeito, para sermos respeitados". É que não há paciência para discursos de embalar bebés. Principalmente quando, diante de 100 jovens com ambições políticas, tanto defendem a ética como, logo de seguida, anuem com o recurso à "cunha". Porreiro, pá.
Eu cá prefiro ouvir Gay Talese.
(Podem chamar-me lírica, que não me importo)
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
A_gosto


Quem achar piada à ideia, pode entrar nesta experiência até dia 29 de Agosto, em Viseu.
O A_gosto da cidade vai para além da cápsula do tempo. A associação cultural Amarelo Silvestre e o Projecto Património -Empório juntaram-se para reflectir Viseu. No sábado, dia 29, vai haver piquenique no Parque Aquilino Ribeiro, conversas saborosas, passeio a pé pelo centro histórico e uma dissertação sobre lugares e não-lugares.
Eu andarei por lá. Porque as boas ideias dos bons amigos são para ser acompanhadas. Bem de perto.
sábado, 22 de agosto de 2009
Falésias, falácias
Eu não o diria melhor que A Natureza do Mal.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Firmeza
De um homem uma mulher espera firmeza. Firmeza de carácter, de ideias, de atitudes. Firmeza no abraço. Quando a mulher sente firmeza, ama mais. Ama melhor. Quando sente firmeza, fica formosa e segura. E amará para além do amor.
E
ternidade.
De como o dicionário deveria ter duas versões: feminina e masculina
Ela queixa-se de que ele tem pouca firmeza. Ele, de sobrolho carregado, vai com a mão à braguilha e pergunta-lhe se ela se queixa de falta de erecção.
[uma amiga jura-me que isto lhe aconteceu]
















