sábado, 14 de fevereiro de 2009

Quem quer um apaga-memórias?







«O que o Howard dá ao mundo...deixar as pessoas começar de novo. É lindo. Olhamos para um bebé e é tão puro e tão livre e tão limpo. Os adultos são uma amálgama de tristeza e fobias. O Howard faz isso tudo desaparecer».


Na clínica Lacuna Inc., o médico Howard Mierzwaik desenvolve um processo de eliminação de memórias. A partir da criação, no cérebro, de um mapa, os técnicos da clínica conseguem extinguir o núcleo emocional de cada memória. Os pacientes querem fazer delete à dor, anseiam esvaziar o peito. E seguir sem stop's emocionais.

Mas pode a instrumentalização da razão apagar qualquer vestígio das emoções associadas a uma pessoa que se ama? Pode a ciência eliminar, em definitivo, a memória afectiva? Estas questões constituem o cerne do filme «O Despertar da Mente»[com o título original Eternal Sunshine of Spotless Mind], de Michel Gondry. Este filme, de sobriedade onírica, conta com as surpreendentes interpretações de Jim Carrey e Kate Winslet.

Amor e dor, tão dentro um do outro. A coexistência das diferenças numa relação amorosa: a timidez e introspecção de Joel e a extroversão e extravagância de Clementine. A relação estilhaça com a força das divergências. Clementine procura os préstimos do dr. Howard para apagar da memória Joel. E Joel faz o mesmo. Durante o processo de eliminação das memórias que o unem a Clementine, Joel redescobre o que o faz amar aquela mulher. A dor vai-se esvaindo, tal como os momentos felizes. Joel arrepende-se, mas todo o mundo afectivo criado com Clementine está a desaparecer, como um rio que descongela. Joel sente o desamparo da orfandade afectiva. Haverá retorno?


[O coração conhece o caminho para casa. Intuitivo e cego]


6 comentários:

Robin K disse...

"Amor e dor"
Já escrevi algo sobre isso.
Vou procurar para partilhar.

Uma excelente semana.

Beijos

Ana disse...

Um dos filmes que mais me marcou :)

Robin K disse...

Já encontrei.....

http://anatomiadeumser.blogspot.com/2007/06/incio-solido.html



Beijos

raquel disse...

Robin K, obrigada pela partilha do post antigo :)

Belo texto...

«Viver com saúde é viver numa solidão equilibrada. Uma solidão amorfa é um corpo doente. Uma solidão inexistente é um corpo já morto. Uma solidão desperdiçada é uma existência sem vida. Uma solidão excessiva é um corpo em desespero. Fugir dela é afastarmo-nos da natureza humana que nos força a viver em sociedades por nós criadas para que não nos sintamos sós. (...)»

Violet disse...

A memória afectiva é que nos faz crescer....e com o sofrimento, o amor crescemos e evoluimos enquanto seres humanos... Inevitavel, no entanto, sonhar com um atalho assim, que eliminasse a dor...Mas como concluiste... o coração conhece sempre o caminho de casa...

PS - Que bom ler-te Raquel! Eleito "my special blog"! , qual alma semi-gémea! Um beijinho!

raquel disse...

Violet, minha alma semi-gémea, bigada ;)

Sabes que é mútuo.

Beijinho