
Talvez na sua vida o maior estímulo
Fosse a curiosidade.
Era o motor de tudo: aproximava-se
De todas as mulheres que conhecia,
Mas só lhe interessavam os seus corações.
Cultivava com método essa obsessão
E tal como as crianças costumam fazer
Aos brinquedos preferidos,
Também ele queria vê-los por dentro,
Saber ao certo como funcionavam,
Desfibrar lentamente cada esperança,
Dissecar com um rigor quase científico
Cada angústia ou desejo inconfessável
Até saborear o gosto sempre novo
De cada uma dessas células
Após cada experiência, observava
Aqueles corações já desmontados
E, por não conseguir juntar as peças,
Guardava-as uma a uma no seu peito
Era um lugar seguro
E com tantos pedaços de outras vidas
Na sua pulsação descompassada
Podia enfim acreditar
Que tinha também ele um coração
Fernando Pinto do Amaral
3 comentários:
Que o pouco que as palavras de um blog consigam "abarcar", ajude a transportar um sorriso e encanto cúmplice.
Ps- As duas msg apagadas são fruto da minha azelhice.
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