


«um rasgão de luz sobre a pele, dormes na seiva doce
das manhãs.
mas sabes que só há repouso para o sofrimento
quando se entra no primeiro dia dos dias sem ninguém.
a dor, a perna amputada, a chaga viva, o sangue a latejar - o mapa da abissínia.
o sol enterra-se nas areias.
viajo, sem me mexer desta enxerga branca.
tento encontrar espaço para a lucidez do meu silêncio.
no lugar do poema coalha o ouro das geadas, e os
animais são formas etéreas que se me colam ao rosto.
o que morre, quase não faz falta...
dantes ouvia o mar...bastava encostar a cabeça ao peito um do outro.»
Al Berto, in Horto de Incêndio
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