quarta-feira, 8 de julho de 2009

Trilogia da tortura





Este é um post sobre como dois dias passados fora de casa podem deixar alguém sem dar uma passada. Sai uma pessoa com uns confortáveis mocassins calçados, mas um pontapé na rua, faz com que os ditos sapatos fiquem inutilizáveis. Digamos que foi por uma unha negra que não apareci num encontro de trabalho com os dedinhos do pé esquerdo a sorrirem para a senhora dona entrevistada.

O segundo trabalho da tarde estava à minha espera. Rapidamente passo por uma sapataria, para solucionar o meu problema. Eis que a pressa, aliada a uma valente falha dos neurónios, fazem-me comprar uns sapatos que são um escadote (não, não ia entrevistar deus ou os anjos ou arcanjos).

No dia seguinte, como não tinha levado mais nenhum par de sapatos, lá volto a calçar as torres amarelas. Aí vou eu, de metro, direitinha à baixa do Porto, para passar uma manhã a passear. Tortura. Engulo as dores a cada passo. Não tenho alternativa. Volto às sapatarias. Escolho umas sandálias baixinhas, baixinhas. Durante algum tempo, sinto-me no céu. Mas o mal já lá estava. O terceiro trabalho era só às 17h30. Almoço na Casa da Música, a que se segue sessão de cinema no Bom Sucesso e, por fim, o encontro ao final da tarde.

Não, não vou mostrar-vos os meus calcanhares. Posso só dizer que acho que nunca fiz tão rápido o trajecto Porto/casa. Acelerar doeu, se doeu.

Já vos falei dos meus calcanhares, não falei?

7 comentários:

Ademar Santos disse...

Depois do coração, também vai vender/licitar os calcanhares? Talvez devesse alterar o nome do blogue, passá-lo de "mulher comestível" para "mulher vendível"...

raquel disse...

Caro Ademar Santos,

aqui os posts do Mulher Comestível são comidos por quem quer. Quem os achar pouco dignos de serem comestíveis, põe à borda do prato. É simples: nem precisa de pagar. Dos meus calcanhares e do meu coração falo quantas vezes quiser e com a ironia que quiser. Quanto à sugestão de mudança de título, só lhe posso dizer que quem anda à procura de mulheres "vendíveis" mais vale não perder tempo neste blogue.

Ademar Santos disse...

Eia, eia, eia!..
Já me sinto de joelhos a pedir perdão pela ironia... apenas cúmplice!
Brincava apenas, senhora!
Já quase não sei fazer outra coisa.
Este país, de resto, não merece mais. Ou menos...

F disse...

conheço bem esses dramas!

Joaquim Alexandre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joaquim Alexandre disse...

Olá, Raquel:
Quando tu eras pequenina, acabada de nascer, a tua mãe mergulhou-te na água do Rio Mondego para ficares invulnerável.

Agarrou-te nos calcanhares para te imergir nas águas para ficares com essa fascinante invulnerabilidade.

Só que a tua mãe tinha as mãos nos teus calcanhares e estes não tocaram naquelas águas propícias.

Ficaste com os teus "calcanhares de Aquiles".

O teu desconforto que não te deixou acelerar na auto-estrada não tem nada a ver com aquelas torres amarelas.

Isso digo eu que não tenho nada contra mocassins (antes pelo contrário) mas cada vez me convenço mais que todos os problemas da humanidade foram recenseados pelos gregos.

Mas, claro, posso estar enganado.
A.

Violet disse...

Confesso não ser fã de moucassins, confesso....os últimos são lindos (não fosse eu ter sido dotada de 1,5m ..) Os saltos, esses, são diários.... que fazem-me falta para ver o mundo de outra perspectiva...