domingo, 23 de maio de 2010

A mudança

O tempo, passa, passa. E eu ainda não vos falei do desejo que está a ser cumprido, desde Janeiro. Tenho postado pouco, é um facto. E do pouco que tenho escrito por aqui, não vos contei que a mudança passou por ir para Lisboa. Talvez não tenha dito isso antes porque a mudança foi natural, como se o meu lugar fosse precisamente a mobilidade. Gosto de mim assim, a oscilar entre Campo de Ourique e o campo dos minhas origens.
Os amigos de sempre continuam a ser os amigos de sempre, a família - e em particular a minha mãe - felizmente (muito felizmente) tem andado bem, começam a crescer novas amizades e o coração, esse, continua a surpreender-se com o que se vai enraizando de mansinho.
Conheci pessoalmente a minha querida Viviane. E, graças à visita papal (que tanto trabalhinho me deu), estive pertinho de dois bloggers próximos cá da casa. Dois miguéis por acaso. Sim, confesso, estive ao pé de ti e de ti e não me apresentei. Desculpem o meu recato.

Sou toda ouvidos

domingo, 16 de maio de 2010

Dúvida existencial

( Imagem retirada daqui, via O Polvo)




Como é que duas ilhas se tornam num arquipélago?


domingo, 9 de maio de 2010

A caminho


Quando amo muito durante muito tempo, tenho saudades de mim. Quando amo viro varanda, toda voltada para ele. Até que chega um momento em que me procuro e vejo-me toda espalhada num território que é ele.


Então, começo a criar distância e fronteira…a caminho de mim. Primeiro, as frases começam a ser contidas. Viro egoísta, crio gavetas dentro das veias, para que as palavras sejam mais minhas, tão só minhas. Torno-me monossilábica. Depois o olhar retrai-se. Fujo da claridade dos olhos de quem me ama.


Ai, e o prazer que me dá ser honesta, quando ele me diz 'tenho saudades tuas'. E eu respondo 'eu também, eu também'. Nem imagina que é de mim que tenho saudades. Depois digo-lhe que estou a caminho de mim…e ele fica baralhado.

Às vezes, ele deita-me um olhar inquisidor e pergunta: Quem és tu, Mar-ga-ri-da? Tem essa mania irritante de separar as sílabas do meu nome, como se desunindo sílabas, descosendo palavras, pudesse dissecar o meu pensamento. É aí, quando chega essa pergunta absurda – Quem és tu? -, que me desinteresso da inteligência dele.


Quem sou? Quem sou? Como se fosse possível ser estanque, água sem torrente. Ele queria-me definida, arrumadinha. Queria-me igual, para o resto da vida. Queria apanhar-me como caçador de borboletas. E, com alfinetes, colocar-me na imobilidade. Estática como um dicionário.


Fico triste a olhar as fotografias. Quero estar viva. Abro a janela. E sou.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mijinha abençoada


Leio isto e eis que encontro das coisinhas mais idiotas que já vi nos últimos tempos: higgfly. Uma mulher a mijar à gajo é mesmo uma ideia peregrina de alguma cabecinha masculina. Já estou a ver as senhoras a caminho de Fátima a arriar a calça (ou a levantar a bela da saia) e a sacar do funil para fazerem pontaria a algum dos pinheiros à beira da estrada. É que estou mesmo a ver as senhoras a sacarem das instruções de montagem do higgfly antes de fazerem um chichizinho. Estou, estou. E a imagem é deprimente.


segunda-feira, 19 de abril de 2010

i não é que era fruta a mais?

Nada, mas nadinha disto me surpreende. Infelizmente.

Só quem não conhecer como funcionam, há anos, os títulos de imprensa regional, detidos pela Sojormedia, é que pode esboçar algum espanto.

Para este grupo económico que cresceu entre andaimes e cimento, os jornais regionais afiguraram-se como cavalos de Tróia que lhes permitiram ir estreitando contactos com o tecido empresarial e com o poder político de várias regiões, e isto naturalmente terá trazido proveito a outras áreas de negócio do grupo. Os jornalistas, para a Sojormedia, são uma chatice, uma despesa - é que nem disfarçam que é uma maçada os jornais não viverem apenas de anúncios de publicidade.

Para culminar, o Grupo Lena decidiu abrir os cordões à bolsa e investir 10,4 milhões de euros num jornal nacional. Eis, a cereja em cima do bolo, o apogeu do prestígio, a chegada à capital, o aproximar do centro de decisões do país. O peito ufano.

Mas o pedido de sacrifícios à equipa do i - que inclui cortes na despesa na fruta - viria mais cedo ou mais tarde. Nada a que os jornais regionais do grupo não estejam habituados, silenciosamente. Longe da atenção dos outros media e do Sindicato de Jornalistas.

sábado, 17 de abril de 2010

Sou toda ouvidos

segunda-feira, 12 de abril de 2010

«Estavam falando do leite, eu gosto de falar dos que mamam»

Portugal podia importar esta deputada. Ai podia, podia.

A t-shirt não engana

Não é candidato a líder do PSD, mas Rui Baptista "candidatou-se" a assessor do líder. E ganhou.

domingo, 11 de abril de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

homem parideiro

«(...)Ando a crer que, nem que seja por ironia para com o meu nome de escritor, também os homens têm para aqui um relógio biológico que tique-taca contra qualquer distracção e que, no momento certo, dispara um alarme intermitente que nos alerta para o desperdício de não lutarmos por aquilo que queremos, sobretudo quando o que queremos se afigura uma decorrência esplendorosa da nossa natureza.

Estou com 38 anos e começo a perceber que a descendência significa largamente mais do que o quanto é evidente. Hoje sei que me faltam os filhos para um tipo de amor de que sou capaz e não tenho a quem deixar. Nesse sentido, posso pensar que desperdiço esse amor, deito-o fora, desimportante para outras coisas como seria fundamental para cuidar de um filho. Ando toda a vida a colocar, nos lugares daquilo que me falta, poemas e histórias com mais ou menos carochinhas. Ando a pôr poemas nos lugares vazios da casa, nas cadeiras onde outrora se sentavam pessoas, nos vasos secando pela minha progressiva ausência, maior, maior ausência, e ponho poemas ao meu lado, como gente falando e mexendo à espera que algo aconteça como milagre da palavra. Poemas crianças que brincam comigo e gostam de mim, aprendem a nutrir um amor incondicional por mim que me trará uma alegria a vida inteira e que me responsabiliza (...)»

valter hugo mãe (Jornal de Letras, 24 de Março a 6 de Abril de 2010)

domingo, 14 de março de 2010

Filosofia de rua

terça-feira, 9 de março de 2010

Naufrágio

Imagem de Jean-François Lepage

Há-de haver azul suficiente
para remarmos um até ao outro.

No poço do nosso corpo, o naufrágio da clepsidra.

domingo, 7 de março de 2010

Sou toda ouvidos

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fénix



Desalmei-me.
Tapei o buraco, com erva e ramagem.
Mas, veio uma fénix que levou a minha voz
até à boca do vento.

[Do meu desassossego fez ninho]

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Àguas profundas

Imagem de Lizy Darko

Ela observa-o a dar comida aos peixes do aquário. Os peixes observam os gestos do cuidador. Ele está de costas para ela, e revela-se em profundidade.

Ela - Os peixinhos são uns animais de estimação peculiares. Só olhas para eles, não há grande interacção. Deves gostar mais dos passarinhos, não?

Ele- Nem por isso.

Ela - É?

Ele - Com os peixes brincas a Deus e crias universos. E tentas dar bem-estar aos universos que crias.


[É no meio das conversas aparentemente banais que surgem as maiores revelações sobre o outro]

sábado, 23 de janeiro de 2010

V

Gosto de conhecer pessoas e não apenas de cruzar existências. Gosto de pessoas que deixam escapar uma lágrima enquanto revelam o que de sísmico há dentro delas. Gosto de pessoas que partilham uma fatia de bolo de chocolate com alguém cujo rosto acabaram de conhecer. Gosto de conhecer a carne e o osso de pessoas cujas palavras visito diariamente. Gosto de pessoas com as quais sinto familiaridade, logo no primeiro instante em que as nossas vozes se tocam. Gosto de quem não se esconde por detrás da barreira de segurança. Gosto quando a vida traz até mim pessoas de alma grande e olhar doce.

Querida V., até breve.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Sabotagem


Amanhece um imaculado caminho.
Estanco os passos, a neve esvai-se em pétalas de sangue.
O perfume de quem sabota a própria vida.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sou toda ouvidos



Enquanto houver ouvidos para a escutar, Lhasa continuará viva.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Jano



Tenho andado armada em procrastinadora. A mudança está perto e tenho evitado a hora de encaixotar o que vai povoar a minha nova vida. O corte de cabelo desenhou-se hoje. É verdade, eu encaixo no cliché: sou daquelas mulheres que sente ânsias de cortar o cabelo para assinalar uma mudança.


Amanhã não há como fugir. No último dia do ano, vou seleccionar os companheiros que me vão dar colinho no novo código postal. Num caixote irei depositar os livros que me irão mimar os neurónios longe do território familiar.


Tenho muita arrumação pela frente. Arrumações em várias frentes. Estou a caminho de cumprir o que tenho de ser. Estou mais perto de mim. Mas, durante uns tempos, vou ser descendente da mitologia romana. Vou sentir-me Jano. Ai vou, vou.



(Este post tem a ver com este outro, pois claro)

Conjugar-te

Imagem de Mark Peckmezian


O Miguel Carvalho desafiou alguns bloggers a escreverem textos inspirados no tema «Ainda há futuros como antigamente?». Saiu-me isto:



«Menina, pensa no futuro». Sempre, sempre, sempre. Os outros estão sempre a impor-nos futuro, futurologia. «O que queres ser quando fores grande? Onde queres passar as férias? Quando arranjas namorado? Quando casas? Quando tens filhos? Quando tens netos? Vais querer ser enterrado ou cremado? Como gostarias que te recordassem?»


Tu dás-me presente. E é isso que quero de ti. A tua presença, quando nos apetece. Contigo não me aprisiono nem ao sonho, nem à desilusão. Não quero que o futuro venha a correr, nem que o passado me agarre. Sabemos que o que temos é uma intermitência, uma doce fragilidade.


Preciso do parêntesis onde nos colocamos, desta barragem contra o futuro. Não falamos no vindouro, nem no passado. Deixamo-nos ir. Não esqueço as tuas mãos a taparem-me a boca, como quem diz: «Não metas filtros, silencia o teu censor, sente apenas. Sente-me». E eu deixo-me ir. Por não te esperar, por nada esperar de ti, tenho-te.


Amanhã vou surpreender-te. Falar-te-ei de futuro. Porque irei mudar, mudar-me. E vou continuar a querer presente e não melancolia ou ansiedade. Sei que a distância geográfica vai inibir-nos a espontaneidade. A lonjura vai fazer-nos pensar em futuro de tanto presente passado um com o outro. À distância resta-nos um caminho: um passo à frente ou um passo atrás. Vou antecipar-te e dar um passo atrás. Coisas de quem precisa de proteger o miocárdio (que seja).


Comigo longe, já não vais poder ligar-me a dizer que daí a 15 minutos vais passar por perto e que queres ser comigo. Os teus lábios não vão procurar os meus, ansiosos por um silente diálogo. Nem eu vou perguntar-te se estás pelo hospital e se podes descer até ao bar para um café nos tomar os gestos. Nem tu, de seguida, me convidarás para jantarmos juntos, dilatando a pausa no trabalho. Tu estás habituado a lidar com o presente. Interessa-te o aqui e agora do doente. Trazes contigo a urgência do agir. Sabes a exacta medida de um minuto, quando sais ao serviço do INEM. Estás habituado a ter vida entre as mãos. Por isso gosto tanto de sentir a palma da minha mão entregue à tua.


É perante o passado que eu ajoelho a minha vida. As escavações arqueológicas acendem-me o olhar. Tu gostas de mim assim, com pó nas veias e mãos na compreensão. Até já topaste o meu tique de, volta e meia, ao conversarmos ou ao caminharmos na rua, eu teimar em olhar para trás. Atribuis as minhas frequentes dores de barriga a uma congestão de passado. Lanças-me o teu humor: «Ó minha Cleópatra, lá estás tu com as tuas melan…cólicas!»


Amanhã. Amanhã, vou dar-te um abraço e sussurrarei aquela frase que sublinhaste no livro que tens na mesa de cabeceira: ‘Se jamais dois forem um, então nós’. Amanhã, irei atirar-te com o Antigo Egipto. Depositar-te-ei nas mãos aquele escaravelho de ouro que encontrei num antiquário, na rua onde, pela primeira vez, os nossos dedos se entrelaçaram como rede de pescar ternura.


Vou mentir-te. Vou dizer-te que te ofereço o escaravelho apenas por ser giro (ai como tu detestas esse adjectivo!). Vais ficar a olhar para o escaravelho, com a sobrancelha direita arqueada a censurar-me por ter gasto tanto dinheiro num objecto em ouro. Sei que a tua curiosidade irá chegar à simbologia.


Com o escaravelho irei pôr-te nas mãos a eternidade.


Agora, tão agora, sinto-me cobarde por não te conjugar no futuro.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

É Natal, época de solidariedade e tal

O Mátria Minha saiu do coma, para partilhar uma pérola negra (que entretanto já foi apagada do blogue).

domingo, 20 de dezembro de 2009

Sou toda ouvidos

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Palhaçada




O coelhinho vem com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao Parlamento.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Coisas do demo


As
universidades sempre foram lugares perigosos. E nós, por cá, estamos a atingir um nível elevado de perigosidade: foi criado um doutoramento em Democracia no Século XXI.

Sítio perigoso este o do questionar.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

JorAnalistas

«O conteúdo é rei». O design é a coroa.


Indecência


Isto é
indecente. Digo eu, filha de uma doente com cancro colo-rectal.

Não se podem esperar meses, quando o organismo dá sinal de alerta. A minha mãe não esperou. Foi à urgência hospitalar, mas como não apresentava sangue nas fezes não lhe foi feita uma colonoscopia. Não podia esperar meses, prostrada na cama com cólicas abdominais insuportáveis. Fui a uma clínica privada marcar a colonoscopia. Numa sexta-feira foi feita a biópsia. Na segunda-feira veio o resultado. E nesse mesmo dia o gastroenterologista, que trabalha para o privado, mas também no hospital público da área de residência, procedeu ao internamento da minha mãe. Na quinta-feira seguinte foi operada. Ainda havia alguma coisa a fazer. E se esperasse meses?

domingo, 6 de dezembro de 2009

O início

Desenho de Graça Martins


«O amor.
É um nicho no qual nos enroscamos? É um pedaço de universo sobre o qual reinamos? É um vago arranjo? Um contrato para dar remédio à solidão? É a descoberta de um lugar desconhecido? É a exploração de uma vida? É a procura de um duplo? De uma outra metade que um Deus amador de puzzles tivesse escondido? É uma aposta? A busca de uma unidade perdida? Datada de quando? Instaurada por quem? É um espelho? Uma recordação de infância? Uma ideia de felicidade? Um sonho? É uma doce inquietude? Uma paixão? A guerra? É uma ideia da perfeição? Pensamos nele ao morrer? É uma perdição? A negação de si? É um desespero? Uma religião? É o cumprimento de um programa? Genético? Cósmico? É a santidade? É uma maldição? Um corpo a estreitar? Uma alma a adivinhar? É um pedaço de espaço/tempo acelerado? Ou a paragem do tempo? Ou o fim do espaço? É uma equação a resolver? Uma dição de qualidades e de belezas? Uma antimatéria? Um mundo do avesso? Um aspirador de sentimentos? Um buraco negro do espaço? A outra face de uma galáxia? É um acaso? Um silício emotivo? Uma carícia que não tem fim? Um poema para viver? Um nascimento e uma morte misturados? O início da eternidade? Um labirinto? Um estratagema? Um enternecimento? É entrar na alma de alguém? Aí se dissolver? É o oceano que cabe todo na palma da mão?

Miléna não se interrogou acerca disto.
Adrien interrogou-se, sem encontrar resposta».


Yves Simon, in O Viajante Magnífico

Ronronice


A chuva, a ronronice domingueira, o ombro da minha mãe, a lareira. A tarde passada a ver a Anatomia de Grey. O chá a fumegar. E o amor, sempre o amor.

Ah, vidinha boa.

(eu disse boa, não disse fácil)




quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A cadeira




«Eu sou como as outras pessoas. Só que há uma pequena diferença. As pessoas não precisam da cadeira. Eu preciso da cadeira. A cadeira só serve para me levar onde as minhas pernas não podem ir. É só isso».

Simone, portadora de paralisia cerebral, protagonista do filme No Fio dos Limites (2003), de Christine Reeh.

O documentário, filmado em Castro Daire e Viseu, foi produzido pela Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes, RTP e Asterisk Produções.

Hoje, Dia Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiência, lembrei-me da extraordinária Simone.


domingo, 29 de novembro de 2009

À flor da pele


À procura de quem conheça David Saldanha, alegado homicida de Joana Fulgêncio, descubro, por mero acaso, o irmão da vítima de um outro homicídio passional. Um homenzarrão, de olhar doce, arregaça a manga e mostra-me o rosto da irmã, tatuado no braço. Comove-me este modo viril, masculino, de demonstrar o amor fraternal. Não há mau gosto à flor da pele, há uma dor hipodérmica.

domingo, 22 de novembro de 2009

Sou toda ouvidos

Chamar os boys pelos nomes



«(...)perceberam que havia uma questão decisiva: o controlo da comunicação social.
Obstinaram-se, assim, nessa cruzada.
A RTP não constituía preocupação, pois sendo dependente do Governo nunca se portaria muito mal.
Os privados acabaram por ser as primeiras vítimas.
O Diário Económico, que estava fora do controlo e era consumido pelas elites, mudou de mãos e foi domesticado.
O SOL foi objecto de chantagem e de uma tentativa de estrangulamento através do BCP (liderado em boa parte por Armando Vara).
A TVI, depois de uma tentativa falhada de compra por parte da PT, foi objecto de uma 'OPA', que determinou a saída de José Eduardo Moniz e o afastamento dos écrãs de Manuela Moura Guedes.
O director do Público foi atacado em público por Sócrates - e, apesar de tão propalada independência do patrão Belmiro de Azevedo, acabou por ser substituído.
A Controlinvest, de Joaquim Oliveira (que detém o JN, o DN, o 24 Horas, a TSF) está financeiramente dependente do BCP, que, por sua vez, depende do Governo».


José António Saraiva in artigo de opinião intitulado Os boys de Guterres. No Correio da Manhã há mais.


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Resiliência

Leni Riefenstahl (1902-2003)

«(...)chocam-me muitas situações de isolamento, nomeadamente na viuvez e, mais provavelmente, nos homens do que nas mulheres - porque as mulheres estiveram sempre ocupadas, tiveram sempre o papel de mães, de avós, da domesticidade. Não é à toa que se fala da viúva alegre e não se fala do viúvo alegre. As mulheres, enfim, sobrevivem melhor.

Interessa-me esse problema do isolamento, da solidão, dos grupos de reformados a quem o sistema dá uma pensão mínima, mas estão ali no largo da igreja a descontar no tempo. Um dos projectos que pretendemos desenvolver é sobre o envelhecimento activo, o uso do tempo. Digo: "Há muitos viúvos isolados." Haverá mesmo? Vamos saber, porque uma pessoa pode ser viúva e não se sentir só, pode ter amigos, participar em actividades, viajar em grupo».


[Manuel Villaverde Cabral, coordenador do Instituto do Envelhecimento]


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sou toda ouvidos



There's a dream that I see, I pray it can be
Look cross the land, shake this land
A wish or a command
I dream that I see, don't kill it, it's free
You're just a man, you get what you can

We all do what we can
So we can do just one more thing
We can all be free
Maybe not in words
Maybe not with a look
But with your mind

Listen to me, don't walk that street
There's always an end to it
Come and be free, you know who I am
We're just living people

We won't have a thing
So we'd got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind

You've got to choose a wish or command
At the turn of the tide, is withering thee
Remember one thing, the dream you can see
Pray to be, shake this land

We all do what we can
So we can do just one more thing
We won't have a thing
So we've got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind

But with your mind

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Lâmpada

Imagem de Cassie Kammerzell


O génio da lâmpada mágica tardou, mas não falhou. Dos meus três desejos, um poderá cumprir-se em breve. Sendo importante, não era
o mais importante, neste momento da minha vida (mas longe de mim, querer parecer pobre e mal agradecida). E por coisas que eu cá sei - incluindo ter passado a tarde de ontem com um bispo - isto soa-me a uma espécie de sinal divino.

Ainda estou a digerir o que ontem, à hora do lanche, me apareceu de bandeja. Bem, não é assim tão de bandeja, porque tudo na minha vida se realiza com muito trabalhinho. Mas posso dizer que é comestível, ó se é comestível. Desejem-me coisinhas boas, vá.



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Entardecer

Imagem de llona Olkonen



Gosto quando entardeces em mim

deixas tombar a luz

viras lua.


Percorro os teus sinais -

constelações que acendem gestos, meus.


Gosto quando o teu ombro se insinua como precipício.




terça-feira, 3 de novembro de 2009

Coração fascista

Imagem de Chris Craymer


«Nas coisas do coração, por muito democrática que seja a nossa razão, somos todos totalmente fascistas. Tão insuportavelmente fascistas, de facto, que deveríamos ser todos presos - literalmente, já que o que convém na política não apetece nada no amor. Na política, convém que as pessoas sejam livres. No amor não. (...)

Não se pode confiar em ninguém - mesmo nas pessoas de absoluta confiança. Confiar, não ter ciúmes, significa achar o outro incapaz, indesejável ou incapaz de desejar, indiferente ou incapaz de ser diferente. Faça-se a quem se queira a fineza de achar que mais alguém o há-de querer também. Desconfiar de quem se ama significa dizer, de uma maneira perversa mas verdadeira: "Se calhar estarias melhor com outra pessoa, mas eu, com outra pessoa, estaria sempre pior."»


Excerto de crónica de Miguel Esteves Cardoso, com publicação na revista do i, na edição Nós, Ciumentos

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sou toda ouvidos

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ser filha da mãe

Imagem de Marija Strajnic


A minha mãe é uma lição de vida. Foi operada na quarta-feira passada. E hoje novamente sujeita a cirurgia (é a quinta vez desde Abril de 2007). Entre as 20h e as 22h45, gastei o chão do corredor da cirurgia, em particular junto ao elevador de serviço às enfermarias. Eu e o meu pai fomos até ao recobro, "buscá-la". É uma mulher do caraças! Sai de uma operação linda e com uma pedalada que só visto. Se há pessoa que merece cada minuto de vida é a minha mãe (não por ser minha mãe, mas por ser a mulher que é).



Na viagem de regresso a casa, o meu pai confessa que quem lhe dera a ele ter apenas um pedacinho da resistência da minha mãe. «Ela tem uma força! Cada vez a amo mais», soltou. Acho que foi a frase mais bela que ouvi sair da boca do meu pai. Não que precisasse de verbalizar o amor que sente. Porque ele, o amor, é notório. Há 32 anos. E não há cancro que destrua isso.


Se sofro muito? Sofro.


Se sou feliz? Sou.



Caros senhores desaires que teimam em me rondar a mim e à minha família, tirem o cavalinho, a égua, o asno (e o que mais quiserem) da chuva, mas não me vão derrubar. Sou filha da minha mãe. Quero estar à altura dela.




terça-feira, 13 de outubro de 2009

Acordar

Imagem de Bob Renno



Há dias em que tudo o que se quer é o sol -
- posto.

Há dias em que o que mais se quer é o mínimo

movimento.


Há dias em que o que se pede não vai além
do abraço dos lençóis.



[O desejo de estrear outro dia]




sábado, 10 de outubro de 2009

Arte de amar

Imagem de Young Kyu Yoo


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.


Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.


Porque os corpos se entendem, mas as almas não.


Manuel Bandeira



segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Escaravelho



Depois de ter comprado um dos escaravelhos reciclados do Simão Bolívar, não resisti a comprar, mais tarde, um alfinete de peito, dos anos 40/50 do século XX, representando também um escaravelho. Claro que a isto não é alheio o facto do escaravelho ser o símbolo egípcio da reencarnação. Fascinante a ideia de renovação eterna...um ser que renasce da própria decomposição.

Há objectos que esperam ser lidos. Vêm até mim para lançarem luz cá dentro.



quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Já falta pouco para limpar a paisagem





Qual é o cartaz da vossa eleição?